Golpes Digitais com o Flipper: o “canivete suíço” dos hackers
Por Lenon Stelman – Especialista em Conscientização de Segurança Cibernética
O que é o Flipper, afinal?

Pequeno, portátil e cheio de truques.
O Flipper Zero é um dispositivo multifuncional que cabe na palma da mão e foi criado originalmente para pesquisas e testes de segurança.
Mas o apelido que ele ganhou no mundo hacker resume bem sua versatilidade:
“O canivete suíço digital.”
Com ele, é possível interagir com frequências de rádio, cartões NFC/RFID, controles remotos, portas automáticas, dispositivos Bluetooth e até emular um teclado USB.
O problema? As mesmas funções usadas para testes legítimos podem ser exploradas por criminosos.
Quando o útil vira perigoso
Durante uma palestra recente, utilizei o Flipper para demonstrar como pequenos dispositivos físicos podem ser usados para ataques digitais.
A reação do público foi imediata e com razão.
Veja alguns exemplos práticos (sem entrar em detalhes técnicos, claro):
1. Wi-Fi falso que rouba credenciais
Imagine o cenário: você está em um café e vê uma rede chamada “Wi-Fi Grátis”.
Ao conectar, o sistema pede para “fazer login com o Facebook”.
Parece legítimo, certo?
Mas, ao digitar usuário e senha, essas informações são enviadas direto para o dispositivo do atacante.
Em poucos segundos, suas credenciais estão comprometidas.
Golpe clássico de engenharia social misturado com tecnologia, um convite irresistível para a curiosidade humana.
2. Leitura e clonagem de cartões NFC
Outra demonstração que causa impacto é a leitura de cartões de acesso.
Com o Flipper, é possível capturar o código de identificação NFC de alguns tipos de crachá corporativo e, em certos casos, até emular o cartão original.
Não é magia. É uma falha de criptografia ou tecnologia desatualizada.
Empresas que ainda usam cartões antigos estão literalmente abrindo as portas para o risco.

3. Ataque BadUSB — o golpe mais impressionante
Agora vem o truque mais chocante da palestra.
Quando conectado a um computador desprotegido, o Flipper pode se passar por um teclado USB.
E, como teclado, ele tem permissão para… digitar.
Isso permite executar comandos automáticos e até rodar scripts maliciosos.
Tudo isso sem o usuário perceber, em segundos.
Foi esse experimento que mais impactou o público e fez muita gente olhar para as portas USB do escritório com outros olhos.

E o que isso tem a ver com segurança corporativa?
Mais do que gadgets curiosos, dispositivos como o Flipper mostram como o elo entre o mundo físico e o digital está cada vez mais tênue.
Um crachá antigo pode abrir acesso indevido.
Um notebook destravado pode ser invadido em segundos.
Um Wi-Fi público pode roubar senhas de executivos.
O risco é real e o aprendizado também.
Como se proteger na prática
Políticas e governança
- Crie normas claras sobre uso de dispositivos externos e política de portas USB.
- Bloqueie o uso de pen drives e gadgets não autorizados.
- Oriente colaboradores a não conectar dispositivos “achados” ou desconhecidos.
Controles técnicos
- Use soluções de controle de mídia e USB (EDR/MDM).
- Mantenha cartões NFC com criptografia moderna.
- Separe redes de convidados e internas nada de “Wi-Fi grátis” sem isolamento.
Conscientização contínua
- Realize simulações seguras e pílulas rápidas de aprendizado.
- Mostre casos reais (como o do Flipper) de forma educativa e impactante.
- Crie campanhas leves e memoráveis: “Achou um dispositivo? Entregue para a segurança, não plugue!”
E se algo acontecer?
- Desconecte imediatamente o equipamento suspeito.
- Avise o time de segurança (SOC/Infra).
- Não tente investigar por conta própria.
- Troque credenciais potencialmente expostas.
- Documente o incidente será aprendizado para toda a equipe.
Conclusão
O Flipper é um lembrete poderoso de que, na segurança cibernética, não existe tecnologia inofensiva existe tecnologia mal utilizada.
Ele representa como o limite entre curiosidade e ameaça pode ser ultrapassado com um simples clique ou conexão USB.
Mas aqui na IBLISS, nós transformamos esse tipo de risco em oportunidade de fortalecimento.
Nossos especialistas testam, simulam e antecipam ataques como esse para expor falhas antes que alguém mal-intencionado as explore.
Cada demonstração é uma lição prática sobre resiliência cibernética e cada vulnerabilidade descoberta é uma chance de evolução.
Na IBLISS, levamos essas ameaças a sério porque sabemos que o próximo golpe pode vir disfarçado de curiosidade tecnológica.
E prevenir continua sendo o ataque mais inteligente que existe.
Sua aplicação resistiria a um ataque assim?
Se essa pergunta causa dúvida, é sinal de alerta: talvez o risco já esteja à espreita.
Lembre-se:
Segurança não é sobre impedir a curiosidade é sobre canalizá-la para o lado certo.